Os
brasileiros Elíbio Rech e André Murad, da Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia, criaram sementes transgênicas para
auxiliar no combate ao HIV, com proteínas capazes de neutralizar o
vírus da AIDS.
De
acordo com dados da UNAIDS, acredita-se que mais de 35 milhões de
pessoas no mundo estavam infectadas pelo HIV até o final de 2013,
mostrando que além de programas de prevenção da doença, era
preciso desenvolver auxiliadores no combate ao vírus.
Os
cientistas, utilizando a biobalística, conseguiram produzir o
anticorpo 2G12 (normalmente produzido em células de mamíferos,
cultivadas em tanques de fermentação) em sementes de arroz, capaz
de deixar o vírus HIV mais vulnerável para o nosso sistema
imunológico combatê-lo. O processo de alteração de DNA do arroz
consiste na aplicação de microprojéteis de ouro ou tungstênio a
1.500 km/h.
A
extração dos anticorpos de dentro da semente ocorre com o que se
chama de “cromatografia de imunoafinidade”, obtendo assim um gel
a ser utilizado antes das relações sexuais.
O método utilizando plantas e cereais pode reduzir o custo da produção
dos anticorpos em quase 96%, podendo produzir o 2G12 em massa, com a
criação em estufas.
Os
brasileiros Rech e Murad também realizaram outro estudo este ano,
utilizando a soja para produzir uma proteína neutralizadora do HIV,
chamada cianovirina. Ela desativa o vírus antes que ele chegue às
células do corpo.
“O
gel criado também é pensado para mulheres, porque muitas africanas
não têm opção da utilização de preservativos pelos parceiros.
Com isto, elas decidiriam pela própria proteção”,
contou Rech, de acordo com publicação no site Gizmodo.
De
acordo com a Embrapa, países em desenvolvimento com altos índices
de AIDS, a grande maioria na África, não precisaria pagar royalties
ao produzirem a cianovirina por esse método, facilitando o acesso à
população.
Infelizmente,
ainda há obstáculos para que esses métodos virem realidade. Por
utilizarem o conceito de biofábricas - união da biotecnologia com a
indústria farmacêutica -, esses produtos representam apenas 10% dos
mais novos presentes no mercado. O problema é o efeito colateral que
essas práticas podem causar no meio ambiente.
Os
OGMs (organismos geneticamente modificados), quando não controlados,
além de causarem danos ambientais, podem oferecer riscos à saúde.
Tanto que a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação
e Agricultura) exige que cada transgênico seja avaliado
cientificamente, de forma individual, para determinar os benefícios
e riscos de cada um.
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